ENTRE CACHOS E RAÍZES: A MAGIA POR TRÁS DE FIOS DE DANDARA
A escritora, de alma e coração...
Eu sou Natalya. Professora, pesquisadora, escritora, sonhadora, resiliente, orgulhosa de uma ancestralidade que vai além da cor da pele e da fibra dos cachos. Uma ancestralidade que vem da luta, da nobreza, da contribuição extraordinária para o mundo… e alguém que acredita muito no poder das palavras.
Sempre vi na literatura uma forma de acolher, de ensinar com carinho e de tocar o coração de quem lê, seja adulto, seja criança. E foi exatamente desse lugar que nasceu Fios de Dandara.
Não é só um livro. É um pedacinho de tudo aquilo que eu acredito, que eu sou, que eu amo.
Como nasceu “Fios de Dandara”?
A Dandara surgiu da vida real.Surgiu de mim mesma, da mini Natalya que derrubou tantas lágrimas a cada penteado nos cachos, mesmo que sendo feito com muito amor pelos meus pais, avó e tias. Naquela época, o acesso aos produtos certos e a informação correta de como cuidar dos cachos era muito distante, mas o choro e a dor eram constantes.
Também nasceu de um estudo muito importante na minha trajetória.Em dezembro de 2025, desenvolvi meu TCC com o tema: “A Influência Africana no Português do Brasil: Um novo olhar para a África”.
Quando decidi mergulhar nessa pesquisa, meu objetivo era muito claro. Eu queria mostrar que a África não pode, e nem devem ser resumida a um único padrão de sofrimento, como muitas vezes vemos nas mídias.
A África é riqueza.
É identidade.
É cultura.
É contribuição.
Principalmente para o Brasil. Em aspectos linguísticos, nos nossos costumes, na nossa forma de existir. E foi nesse processo que algo muito profundo em mim também floresceu.
Entendi ainda mais sobre quem eu sou.Serviu para que eu compreendesse que a minha ancestralidade vem de reis e rainhas. Meu povo é próspero. Feliz. Cultural. Bonito. Grande. Nobre.
E senti que precisava transformar tudo isso em algo que chegasse até as crianças.
Assim nasceu a Dandara, com toda a sua doçura, sua curiosidade e o seu amor pelos seus cachos. A vó Dada (nome de origem africana) representa no livro a guardiã da ancestralidade.
Vó Dada e mãe Zola também foram criadas com todo o amor que existe dentro de mim, elas são responsáveis por instruir Dandara no caminho do autoconhecimento, da aceitação e do amor por si mesma.
Sobre o livro...
Fios de Dandara é uma história sobre identidade, sobre raízes e sobre amor próprio.
É sobre entender que nossos cachos contam histórias.
Que nossa origem tem força. Que existe beleza em ser quem a gente é.
É um livro leve. Delicado. Mas cheio de significado.Daqueles que abraçam sem fazer barulho.
Fios de Dandara também é uma instrução indireta sobre como cuidar dos cachos com cuidado e ternura, pois é um cabelo com muitas curvas, embaraça mais rápido, desfazer os nós dos cachos é um momento de dor, mas que tenhamos mãos que saibam entender que também é um momento de descobertas e de conexão com a própria história.
É um cuidado que precisa ser feito com paciência. Com os produtos certos. Com consciência.
Um carinho que virou algo muito maior...
Com o tempo, o universo foi crescendo.
E nasceu Fios de Dandara: Cores da Identidade. Um livro de colorir. Mas não é só pra colorir.
É pra sentir.
Pra se acalmar.
Pra se conectar.
É aquele momento quietinho, onde a criança (ou até o adulto) vai se encontrando aos poucos. Cada página que ganha cor, é uma nova história que é contada.
Uma nova identidade descoberta. Junto com ele, viaja também uma paleta de cores com os tons de pele. Nosso país tem todas as cores e elas precisam ser celebradas!
Todos somos POTÊNCIA!
O que eu desejo, depois de tudo...
Toda criança merece se ver. Merece se reconhecer bonita. Importante. Pertencente. Eu escrevi esse livro pensando nisso.
Pensando em cada criança que precisa de um empurrãozinho pra se amar mais. E, no fundo, pensando na criança que um dia eu também fui.Eu não quero só contar uma história.
Eu quero plantar algo.
Quero plantar autoestima. Orgulho. Amor pelas próprias raízes.
Se uma criança se olhar com mais carinho depois de ler Fios de Dandara, então tudo já valeu a pena.
