A Seletiva dos Apóstolos: um romance sobre fé, amizade, escolha e as periferias urbanas do Brasil

A Seletiva dos Apóstolos: um romance sobre fé, amizade, escolha e as periferias urbanas do Brasil

Existem chamados que a gente não escolhe ouvir. Eles simplesmente chegam, no meio da rotina, tem cheiro, tem voz e passam a exigir uma resposta. A Seletiva dos Apóstolos nasceu de uma pergunta sobre esses chamados: o que fazemos quando a fé para de ser algo dado e passa a ser algo que precisamos decidir, sozinhos, sem ninguém para confirmar que escolhemos certo?

Uma metrópole onde as fés convivem na mesma rua

A história se passa nos subúrbios de uma grande metrópole brasileira, onde catolicismo, umbanda, evangelismo e espiritismo não são categorias separadas em uma prateleira, mas são vizinhos. Às vezes moram na mesma casa. Às vezes na mesma família. Às vezes na mesma pessoa.

É o caso de Thomé, um jovem sem grande fé em nada (nem em Deus, nem em si mesmo), que vive com a mãe, Marinalva, e tem em Edmilson seu melhor amigo desde a infância, os pilares do conceito de família. Os três lidam com o sagrado de formas bem diferentes, até que a vida de Thomé é atravessada por algo que ele não tem como explicar racionalmente.

Um pequeno detalhe acompanha Thomé do início ao fim: o fone de ouvido que ele usa para se isolar do mundo ao redor. É um gesto pequeno, quase automático. Mas, como muita coisa nesse livro, carrega mais peso do que parece.

Por que "seletiva"?

O título nasceu de uma pergunta simples: e se a fé, em vez de ser dada, precisasse ser conquistada? Assim como uma seleção separa quem segue de quem fica para trás, os personagens da história são convocados, cada um à sua maneira, em seu próprio tempo, para algo maior do que conseguem entender de imediato.

Não é um livro que responde qual fé é a certa. É um livro que pergunta o que a fé pede de cada um de nós quando ninguém está olhando e quando ninguém pode escolher por nós.

Escrever sobre o que nos formou

Cresci ouvindo histórias de fé contadas de jeitos diferentes por pessoas diferentes, muitas vezes dentro da mesma família. Demorei para entender que essa mistura, que às vezes parecia uma contradição, era, na verdade, o retrato mais honesto da espiritualidade brasileira. Plural, misturada e vivida nas ruas antes de estar em qualquer doutrina ou templo.

Escrever esse romance foi, de certa forma, tentar dar forma a essa mistura sem simplificá-la. Foi mais fácil sentir do que resolver. Talvez por isso a história tenha demorado anos para ganhar a forma final: cada capítulo pedia tempo para respeitar o peso das crenças que ele carregava.

Se A Seletiva dos Apóstolos faz alguma coisa direito, é lembrar ao leitor de que a fé raramente é única, mesmo sendo só uma. Mesmo quando parece ser.